Os grandes feitos e avanços da humanidade devem-se, na sua generalidade, a um conjunto mais ou menos alargado de pessoas. No entanto, é frequente que apenas os maiores líderes fiquem registados na História o que, convenhamos, acaba por ser natural. A Ciência segue esta mesma regra como facilmente se conclui olhando para os Prémios Nobel: cada vez mais, os laureados representam uma vasta equipa de trabalho.

Assim sendo, é também possível encontrar na História alguns investigadores que “ficam para trás” em dadas descobertas. O caso de Rosalind Franklin na descoberta da estrutura do DNA é particularmente mencionado entre os cristalógrafos e talvez um dia o aborde neste espaço. No entanto, o “feliz” contemplado de hoje é o naturalista galês Alfred Russel Wallace (1823-1913) já que se cumprem precisamente 160 anos da apresentação pública do seu trabalho sobre a evolução das espécies a 1 de Julho de 1858 à “Linnean Society of London”.

Não pretendendo entrar em detalhes biográficos, as observações e pesquisas de Wallace sobre diferentes espécies levaram-no a ser correspondente de Darwin cujo prestígio era já então reconhecido. Nos inícios de 1858, Wallace preparou um ensaio intitulado “On the Tendency of Varieties to Depart Indefinitely From the Original Type” que Darwin recebeu no dia 18 de Junho do mesmo ano. Constatando grandes semelhanças entre as suas teorias (não publicadas) e aquelas descritas por Wallace, Darwin pediu conselhos a Lyell e Hooker que resolveram apresentar os trabalhos dos dois autores em simultâneo embora realçando o trabalho de Darwin. A partir daqui, “o resto é História”: a obra “A Origem das Espécies” foi publicada no ano seguinte fazendo de Darwin o grande obreiro da teoria da selecção natural e relegando Wallace para segundo plano.

Não sendo um caso crítico – os contributos de Wallace foram e continuam a ser, apesar de tudo, reconhecidos – é ilustrativo que, não raras vezes, “estar no sítio certo, à hora certa” é essencial para se conseguir importantes conquistas e reconhecimentos. Uma máxima que, sem surpresas, é tanta vez aplicada também no dia-a-dia.

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