Lá Vamos, Cantando e Rindo

 

Para os poucos (que me perdoem se assim não for) que possam associar o título deste post ao primeiro verso do hino da Mocidade Portuguesa, não se exaltem. Não pretendo apresentar um texto de enaltecimento de tal organização juvenil que, nestes dias implacáveis do politicamente correcto, rapidamente iria ser catalogado como uma ode aos tempos da Outra Senhora.

O efeito perverso (e perigoso) deste tipo de pensamento ficará para outras núpcias. Mantenhamo-nos, no imediato, no tema que norteia este blogue: a ciência. Num rasgo de criatividade que quase me leva a acreditar que estou a escrever um artigo para o jornal Público, não deixo de sentir que o estado da ciência em Portugal se adequa bem a esse verso: “vai indo”. E bem sabemos o que esta expressão – quase que arriscaria a elevá-la a património imaterial português – significa: “vai mal”.

A política científica nacional seguida nos últimos anos é, no mínimo, discutível. Sob a louvável bandeira de combate à precariedade, várias medidas mais ou menos profundas foram aprovadas no sentido de promover o contrato de trabalho como mecanismo preferencial de vínculo em detrimento das bolsas de investigação. Necessário? Sem dúvida. Justo? Parece-me óbvio. Anunciado com pompa e circunstância? Confere. Eficaz? Tenho (sérias) reservas.

Tal como afirmei, num plano teórico, as medidas são positivas. Melhor dizendo, as intenções das medidas são positivas. Quais são então as razões para o descontentamento generalizado da comunidade? É uma pergunta legítima para a qual julgo não existir uma resposta universal que se adeque transversalmente a milhares de investigadores.

Ainda assim, a postura dos responsáveis máximos – com o Senhor Ministro à cabeça – certamente que não contribui para acalmar as hostes. De igual forma, o aparente experimentalismo das medidas parece-me não ajudar muito. Assumindo uma postura marcadamente empírica (John Locke e David Hume ficariam orgulhosos) de “fazemos e logo vemos no que dá”, as instâncias governativas conseguiram lançar ainda mais incertezas a um mundo já ele bastante nebuloso o que, reconheça-se, acaba por ser um feito notável.

Tomemos por exemplo o fim das bolsas de pós-doutoramento. Teria sido, porventura, sensato não trocar o mau (mas ainda assim existente) sistema anual de financiamento pelo vazio? É bom lembrar que entre o último concurso de bolsas (Julho 2016) e o primeiro concurso CEEC (Fevereiro 2018) decorreram cerca de 18 meses. Que oportunidades/perspectivas existiram nesse período? Qual a lógica de acabar com um sistema sem ter o seu substituto minimamente preparado? Note-se que seria utópico esperar um sistema afinado, mas no mínimo não afunilar (ainda mais) as parcas contratações existentes.

Novo exemplo: a rábula do DL57. Com as devidas distâncias, o DL57 conheceu quase tantas voltas e reviravoltas como o caso de Tancos. Claro que entre a sua aprovação e o seu início efectivo passaram mais uns largos e longos meses. Apreciei o pormenor da lei contemplar ou excluir pessoas consoante a data de término da sua bolsa: excelente promoção do mérito científico e pessoal. Proponho, aliás, que se adopte um sistema equivalente nas listas de espera na saúde: quem está inscrito há x tempo, salta fora. Os doentes excluídos podem tratar logo de falecer sem perturbar os serviços públicos e os doentes contemplados (sortudos!) talvez possam aspirar a um tratamento eficaz em tempo útil. Todos saem a ganhar!

Felizmente que quem ficou de fora, dispõe de ferramentas várias de contratação. A começar pelo CEEC em que a solução (de génio) perante os 4500 candidatos para os 500 lugares do primeiro concurso foi diminuir as vagas para 300 lugares nos seguintes. Seguindo pela contratação pelas Unidades de Investigação (curioso que o financiamento concedido às Unidades sofreu cortes tais que impossibilitam qualquer estratégia eficaz de contratação). Acabando nos projectos de investigação que, perante a retirada da obrigatoriedade de contratação, encontram mil e uma resistências das Unidades (e, perante a escassez dos seus recursos, até compreendo a posição) que dizem a alto e bom som para quem queira ouvir (aparentemente toda a gente que não a Fundação e o Ministério): “não façam contratos”. No meio deste imbróglio, surgem então as inenarráveis afirmações do Senhor Ministro com o seu propalado “pleno emprego científico” (lol como diziam os jovens do meu tempo).

Qual então a solução para este (potencial) apocalíptico cenário? Como bom português, não sei. No entanto, talvez consiga avançar com o problema de fundo: não há dinheiro. E, já diz o povo na sua sabedoria, “quem não tem dinheiro, não tem vícios”. Ocorreu-me também “não há dinheiro, não há palhaços”, mas esta alternativa não seria tão precisa: há muitos palhaços no cenário actual. Até posso aceitar que há sectores nevrálgicos que merecem maior investimento público – só não acho justo é, nesse caso, manter o paradigma “precisamos de mais doutorados” em vez de adoptar algo como “precisávamos de mais doutorados, mas não temos dinheiro para isso”.

Uma definição transparente e inequívoca desta premissa será, talvez, o primeiro passo para agir em conformidade e elaborar um plano de acção viável que não exclua oportunidades empresariais, mas que não caia na demagogia barata que todos os tópicos de investigação têm uma aplicação imediata. O que é, para mim, inconcebível é bradar a alto e bom som a qualidade da investigação portuguesa e não haver um apoio condizente com a mesma. Haja a hombridade de reconhecer: “não conseguimos fazer melhor com o orçamento disponível”.

E o que fazer até este pequeno/grande passo ser dado? Emigrar e/ou abandonar a investigação seriam hipóteses atraentes, mas sendo ingénuo e acreditando nas capacidades do meu país, irei estrategicamente deixá-las à parte. O que nos sobra? Uma visão cruel e cínica da vida diria “sobreviver”. Uma visão mais esperançosa e romântica talvez possa remeter novamente para o hino da Mocidade nomeadamente o verso “Lá vamos, que o sonho é lindo!”. Se o sonho se vai ou não realizar é a grande questão que asfixia toda uma comunidade.

 

Covid-19: O que é que sabemos baseado em dados científicos

 

O que é o Covid-19?

Covid-19 também conhecido por SARS-CoV-2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave – Coronavírus 2) é um vírus de RNA [1]. A comparação bioquímica e estrutural do Covid-19 com outros coronavírus permitiu concluir que este optimizou a sua ligação ao receptor ACE2 (receptor da enzima de conversão da angiotensina 2) que, por sua vez, leva à internalização do vírus para o interior das células humanas [1, 2]. Fisiologicamente, o receptor ACE2 (expresso na membrana das células do pulmão, coração, rins e intestino) é responsável pela maturação da angiotensina, uma hormona responsável pelo controlo da vasoconstrição e da pressão sanguínea [3, 4].

Quanto tempo é capaz o vírus de se manter estável?

No “New England Journal of Medicine” foi publicado recentemente um estudo científico sobre a estabilidade do Covid-19 no qual o vírus foi aplicado através de aerossóis (com uma carga viral controlada) em cobre, papelão, aço inoxidável e plástico, mantidos entre 21 e 23 °C e 40 % de humidade relativa ao longo de 7 dias.

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Figura 1 – Estabilidade do vírus Covid-19 (vermelho) e estabilidade do vírus SARS-CoV-1 (azul, vírus que causou a pandemia de SARS em 2003) em diferentes materiais. Copper: Cobre; Cardboard: Papelão; Stainless Steel: Aço inoxidável; Plastic: plástico. Adaptado de [5].

 

O estudo indica que:

O Covid-19 é mais estável em plástico e aço inoxidável do que em cobre e papelão: vírus viáveis ​​foram detectados até 72 horas após a aplicação nessas superfícies (Figura 1) embora a “quantidade” do vírus tenha sido bastante reduzida.

Mais precisamente:

  • No cobre, nenhum Covid-19 viável foi detectado após 4 horas
  • No papelão, nenhum Covid-19 viável foi detectado após 24 horas (1 dia)
  • No aço inoxidável, nenhum Covid-19 viável foi detectado após 48 horas (2 dias)
  • No plástico, nenhum Covid-19 viável foi detectado após 72 horas (3 dias).

Importa salientar que estas conclusões implicam que, nos períodos de tempo anteriores aos limites descritos, para cada material, amostras de Covid-19 foram ainda detectadas apesar da respectiva carga viral ser mais reduzida quando comparada com o valor inicial.

O estudo apresenta igualmente a comparação entre o Covid-19, (em vermelho) e o retrovírus mais semelhante, capaz de infectar humanos, SARS-CoV-1 (em azul). Os autores descrevem que a diferença de estabilidade entre os vírus não é significativa sugerindo que o problema epidemiológico que se está a verificar com o Covid-19está relacionado não só com a sua estabilidade (que, ainda assim, permanece como um dos grandes focos de preocupação), mas também com outros factores levando a duas hipóteses:

  • altas cargas virais de Covid-19 no tracto respiratório superior (em relação ao anterior SARS-CoV-1)
  • alto potencial de transmissão de Covid-19 por pacientes assintomáticos ou com sintomas muito ligeiros (não considerados como estando doentes)

 

Quais os sintomas despoletados pelo Covid-19?

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Figura 2. Sintomas e temperatura máxima corporal, de acordo com o dia de doença e o dia de hospitalização, do primeiro caso de Covid-19 reportado nos Estados Unidos da América. Fever: Febre; Cough: Tosse; Rhinorrhea: Corrimento de nariz; Fatigue: Fadiga; Nausea: Náuseas; Votiming: Vomitar; Diarrhea: diarreia; Abdominal Discomfort: Desconforto abdominal. Adaptado de [6].

 

A Figura 2 representa o primeiro caso de coronavírus descrito nos EUA. Neste estudo, os autores descrevem a identificação, diagnóstico, curso clínico e tratamento do caso incluindo os sintomas leves iniciais do paciente na apresentação com progressão para pneumonia no dia 9 da doença [6].

De notar que este é só um exemplo e que a progressão da doença pode ser diferente de indivíduo para indivíduo.

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Figura 3. Sintomas de indivíduos positivos para Covid-19 em Portugal recolhido pelas identidades portuguesas. Fonte: https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/ [consultado  a 19 de Março 2020]

 

Em Portugal, as autoridades locais têm vindo a recolher os sintomas descritos pelos indivíduos positivos para Covid-19 (Figura 3) [7]. Como podemos ver na Figura 3, a maioria dos pacientes descreve como primeiro sintoma a tosse seca imediatamente seguida da febre. Como descrito pela OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 80% das pessoas infectadas é capaz de recuperar sem a necessidade de tratamento hospitalar [8]. Contudo, a OMS aponta pessoas idosas e pessoas com tensão alta, problemas cardíacos, diabéticos e imunossuprimidos como indivíduos de alto risco tendo maior probabilidade de desenvolver sintomas graves [8].

 

Podem pessoas assintomáticas transmitir a doença, ou seja, transmitir o vírus Covid-19?

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Figure 4. Tempo de exposição de diferentes pessoas a pessoas infectadas, o tempo que demoraram a ter sintomas e que testaram positivo para Covid-19 (descrito no gráfico como “Positive PCR”). Adaptado de [9].

 

Na Figura 4, está descrito o estudo de uma linha de transmissão na Alemanha. Um indivíduo que fez uma deslocação entre a China e a Alemanha, onde participou em reuniões de trabalho, e que só desenvolveu sintomas quando regressou à China. Contudo, contaminou as pessoas com quem contactou na reunião na Alemanha (ainda em período assintomático). Note-se que os sintomas foram apenas reportados pelos diferentes indivíduos alguns dias após o primeiro contacto. Além disso, o paciente 1 foi o elo de transmissão para os pacientes 3 e 4. Em outro estudo, foi também descrito que um paciente assintomático testou positivo para Covid-19 (Figura 5). Estes estudos demonstram, pois, que indivíduos sem sintomas podem transmitir Covid-19 para outros indivíduos servindo de argumento para as recomendações das autoridades de Saúde Pública de todos os países sobre a restrição do contacto social de modo a diminuir a propagação deste vírus.

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Figura 5.  Acompanhamento de pessoas que embarcaram em um voo de evacuação de Wuhan, China, para Singapura. Adaptado de [10].

 

O que quer dizer achatar a curva?

Como vários especialistas têm vindo a público explicar, achatar a curva quer dizer reduzir o número de casos positivos ao mesmo tempo permitindo aos hospitais ser capazes de responder a casos urgentes sem sobrecarga (Figura 6). Porque é que isto é importante? Se o número de casos não escalar (curva azul em comparação com a curva vermelha), o número de doentes em estado crítico em simultâneo será menor, o que quer dizer que vamos ter profissionais de saúde e equipamento disponíveis para estes casos críticos (algo que não acontecerá se toda a gente adoecer em simultâneo).

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Figura 6 – Gráfico ilustrativo “achatar a curva”. Without protective measurements: Sem medidas preventivas; With protective measurements: Com medidas preventivas;  Healthcare system capacity: Capacidade do Sistema Nacional de Saúde; Number of cases: Número de casos; Time since first case: Tempo após o primeiro caso. Adaptado de CDC/The Economist.

 

É o Covid-19 um vírus produzido em laboratório?

Um artigo científico publicado recentemente fez a comparação do genoma do Covid-19 (ou seja, do seu “cartão de cidadão”) com outros coronavírus demonstrando que o Covid-19  NÃO é um vírus manipulado em laboratório [11]. O Covid-19 tem aproximadamente 80% de semelhanças com o SARS-CoV-1 e 96% de semelhanças com o coronavírus de morcego BatCoVRaTG13 [1].

 

Quais os websites onde posso encontrar informação fidedigna sobre o Covid-19?

Em Português:

Em inglês:

 

 

 REFERÊNCIAS:

[1] https://www.nature.com/articles/s41586-020-2012-7

[2] https://science.sciencemag.org/content/early/2020/03/03/science.abb2762.full

[3] https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/01.RES.87.5.e1

[4] https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.01.26.919985v1.full

[5] https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMc2004973

[6] https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2001191

[7] https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/

[8] https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses

[9] https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2001468?query=featured_home

[10] https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2003100

[11]https://www.nature.com/articles/s41591-020-0820-9?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_content=organic&utm_campaign=NGMT_USG_JC01_GL_NRJournals

Covid-19: what do you know based on scientific data?

 

What is the SARS-CoV-2?

SARS-CoV-2 (severe acute respiratory syndrome coronavirus 2), is a positive-strand RNA virus [1], that causes the disease COVID-19. The structural and biochemical comparisons of SARS-CoV-2 led to the scientists to conclude that this virus appears to be optimized to bind to the ACE2 receptor (angiotensin converting enzyme 2 receptor), and this binding is responsible for the virus internalization into the cells [1, 2]. ACE2 is responsible physiologically for maturation of angiotensin, a peptide hormone that controls vasoconstriction and blood pressure [3], and it is expressed in the cell membrane of lung, heart, kidney and intestine tissues [3,4].

 

How long is the virus able to maintain its stability?

It was recently published in the New England Journal of Medicine a scientific paper where the authors show that SARS-CoV-2 is more stable in plastic and stainless steel than in copper and cardboard [5]. In this study they applied SARS-CoV-2 using aerosols (with a controlled viral load) into the different materials, and left those materials between 21 – 23 ºC and 40% humidity for 7 days.

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Figure 1. Stability of SARS-CoV-2 and SARS-CoV-1 in different materials. Adapted from [5]

 

More precisely, what they observe is that:

  • copper: no viable SARS-CoV-2 was detected after 4 hours
  • cardboard: no viable SARS-CoV-2 was detected after 24 hours (1 day)
  • stainless steel: no viable SARS-CoV-2 was detected after 48 hours (2 days)
  • plastic: no viable SARS-CoV-2 was detected after 72 hours (3 days)

Importantly, this means that before the timings described for each material, although the loads of virus were decreased in comparison to the initial virus loads, they were still detected.

On this study, they also compared the stability between SARS-CoV-2 (red curve in Figure 1) and the previous closest coronavirus known, SARS-CoV-1 (blue curve in Figure 1). The results show that stability between the two virus is actually similar, suggesting that the epidemiologic problem that we are facing with SARS-CoV-2 is not only related with its stability (although is one of the important factors), but can be also due to other factors, raising two hypotheses:

  • high viral loads of virus in the superior respiratory tract
  • the high potential of infected people with SARS-CoV-2 to transmit the virus while they are asymptomatic or with mild symptoms (which are not taken at that time as illness)

 

Which symptoms does SARS-CoV-2 trigger?

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Figure 2. Symptoms and Maximum Body Temperatures According to Day of Illness and Day of Hospitalization of the first case of   Covid-19 reported in United States patient. Adapted from [6]

 

In the same journal, it was recently published the case study of the first SARS-CoV-2 reported in United States patient (Figure 2). In this report they describe the identification, diagnosis, clinic course, and treatment, including the mild symptoms described initially by the patient and the progression of symptoms to pneumonia at day 9 of the disease [6].

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Figure 3. Symptoms of positive SARS-CoV-2 patients in Portugal gathered by local Portuguese authorities. Source: https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/ [consulted on March 19th, 2020]

 

In Portugal, local authorities have been gathering the symptoms that each positive SARS-CoV-2 patient has experienced (Figure 3) [7]. As we can see in Figure 3, majority of positive patients describe dry cough as a symptom, while fever is only the second symptom described.  As described by WHO (Word health Organization) around 80% of people recover from the disease without the need of a special treatment [8]. Nevertheless, WHO describe as high-risk groups older people and people with other health issues such as high blood pressure, heart problems or diabetes, are more likely to develop serious illness [8].

 

Can asymptomatic people transmit SARS-CoV-2?

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Figure 4. Timeline of exposure of different people until they show symptoms and test positive to SARS-CoV-2 (described in the graph as Positive PCR). Adapted from [9].

 

In Figure 4 it is described a case report of a transmission line in Germany. An individual that went from China to Germany, where he attended business meetings and only after returning to China start feeling the first symptoms. Important to notice that patient 1 only describes symptoms days later after the meeting with Patient 0. In addition, patient 1 was a transmission individual to patient 3 and 4, that only contacted with patient 1, and again only show symptoms days after those contacts. Interestingly, another case report shows that asymptomatic patient can already test positive for SARS-CoV-2  (Figure 5). These studies show that although no symptom was described by these individuals, they were able to transmit SARS-CoV-2  to other individuals. This is why the decrease of social contact is so crucial to decrease the spreading.

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Figure 5. Follow up of people who boarded an evacuation flight from Wuhan, China, to Singapore. Adapted from [10].

 

What is this “let’s flatten the curve” and why #staythefuckhome is so important?

As many specialists have come to public to explain, flattening the curve means reduce the number of cases at a time – allowing our hospitals to be able to take care of the urgent cases without overloading them (Figure 6). Why is this important? If we get the same number of cases but during a longer period, we will reduce the number of patients in critical condition at the same time – which means, we will have not only professionals but also equipment available for these critical cases.

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Figure 6. Flatten the curve graph

 

Is SARS-CoV-2 a laboratory made virus?

Comparative genomic data of SARS-CoV-2 with other coronavirus show that Covid-19 is NOT laboratory manipulated virus [11]. SARS-CoV-2 is approximately 80% similar with SARS-CoV-1 and 96 % similar to bat coronavirus (BatCoVRaTG13) [1].

 

Which trustworthy websites should I read to know more about SARS-CoV-2?

 

REFERENCES:

[1] https://www.nature.com/articles/s41586-020-2012-7

[2] https://science.sciencemag.org/content/early/2020/03/03/science.abb2762.full

[3] https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/01.RES.87.5.e1

[4] https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.01.26.919985v1.full

[5] https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMc2004973

[6] https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2001191

[7] https://covid19.min-saude.pt/ponto-de-situacao-atual-em-portugal/

[8] https://www.who.int/news-room/q-a-detail/q-a-coronaviruses

[9] https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2001468?query=featured_home

[10] https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2003100

[11]https://www.nature.com/articles/s41591-020-0820-9?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_content=organic&utm_campaign=NGMT_USG_JC01_GL_NRJournals

Why I attend all the talks: Prof Racaniello

This week I was lucky to meet Prof. Vicent Racaniello, who is a professor at Columbia University’s College of Physicians and Surgeons. He has been working on virology for about 40 years, which really impresses me (the time, not the topic). His talk was by far the better attended talk of this seminar series and the way Prof Racaniello structured it was very simple, with a very catchy title “One brain, three viruses, and one podcast”: he gave a historical perspective of his life work and dedicated quite some time to talk about science communication and why it is important. This, non-research aspect of his work is incredible time-consuming and according to himself not always brings the expected return. However, Prof Racaniello is happy if he manages to get 10 followers per travel, which I find very humbling coming from a person that has been doing science communication for 14 years, hosts five podcasts, has one blog and is present in all social media.

A few of us stayed for lunch with the speaker: listen to Prof Racaniello talk was very comforting as most of his ideas resonated with mine, in great opposition to those of the established scientists I have around me most of the days.

I did not know Prof Racaniello, his scientific work, or his science communication work before last Wednesday, but now I know which podcast I will be listening to on those long sessions in the FACS machine.

Around and around until falling in love again with academia

I have decided not too long ago that I was going to pursue my career in academia. After a tough PhD, I have to say that this sounded the craziest idea that I could have… So, how did I get into this decision? After working a while as a microbiologist analyst, I realized that routine is not my thing. I finally understood that is the ability to use my critical thinking, asking questions and improving every day, which drives me and makes me happy. Thus, my decision was easier than it seems and as someone told me recently, I already did my PhD grief.
Importantly, I do not regret the decision to try a “kind” of industry in Portugal as I learned a lot about myself! (I say a “kind of” because I know from many friends that working in industry can also be challenging, which was not my reality). I can much easier deal with the pain of no results than the pain of having the same routine every week. Thus, I don´t feel as these 7 months were a waste of time! On the contrary, I realized that industry job is not what I idealized and I have now a different perspective of what I want to do career wise!
Therefore, I have recently joined a new lab! If I may give an advice, go ahead and endorse projects that you think suits you! Even if they don’t, you will always learn something from them!

A Ciência ao serviço da História (Parte II)

Num dos meus últimos textos, abordei um exemplo em que o uso de técnicas
disponíveis em Sincrotrão contribuiu para o avançar do conhecimento da História.
Vamos, hoje, ser totalmente inovadores e abordar um outro exemplo em que o uso de
técnicas disponíveis em Sincrotrão contribuiu para o avançar do conhecimento da
História (realce-se a riqueza estilístico-linguística empregue neste parágrafo).
No segundo quartel do século XIX, Louis Jacques Mandé Daguerre desenvolveu
o processo fotográfico que viria a ficar conhecido por daguerreótipo e que foi
apresentado em 1839 na Academia das Ciências de França. Usando uma placa de cobre
coberta por prata para o registo da imagem, os daguerreótipos são importantes
documentos que contribuem para a interpretação dos costumes, personagens e paisagens do quotidiano da época.
Vários exemplares intactos chegaram até aos nossos dias, mas vários outros
sofreram danos causados pela implacável passagem do tempo nomeadamente por
fenómenos de corrosão (tarnish em inglês). Torna-se, pois, interessante desenvolver
métodos capazes de restaurar daguerreótipos perdidos possibilitando a referida análise
histórica.
Este foi o ponto de partida para o trabalho desenvolvido por uma equipa de
investigação canadiana e que resultou numa publicação na revista Scientific Reports em
Junho de 2018 após publicações preliminares no ano anterior. Usando dois
daguerreótipos danificados da Galeria Nacional do Canadá, datados de cerca de 1850,
os autores procuraram identificar a composição química da corrosão com recurso a
técnicas disponíveis nos sincrotrões CLS (Canadian Light Source em Saskatoon,
Canadá) e CHESS (Cornell High Energy Synchrotron Source em Ithaca, Nova Iorque,
Estados Unidos).
Como que por magia, a verdade é que os daguerreótipos analisados, antes “m
branco”, revelaram o seu conteúdo (retratos de uma mulher e de um homem) após o
tratamento. Vale a pena consultar o artigo para perceber em detalhe a ciência por detrás
desta “magia” que, de forma telegráfica (uma expressão do passado que talvez hoje se
possa traduzir por tweet), assenta na procura e identificação de mercúrio (usado para
revelar as imagens originais) por micro fluorescência de raios-X.

Facilmente se percebe as potencialidades deste método não-invasivo e não-
destrutivo na recuperação de antigos documentos históricos o que será certamente uma
mais-valia na interpretação do passado. Para finalizar, deixo o link onde o artigo pode
ser encontrado: https://www.nature.com/articles/s41598-018-27714-5.

Paying ode to Drosophila

As soon as I joined the new lab, I was invited to attend the Portuguese Drosophila Meeting. The meeting was hold in Tomar, center of Portugal, and combined people from different institutes. The major goal of this meeting every year is gathering together the Portuguese scientific community that uses Drosophila melanogaster as a model system, and share expertise: from new tools to new methodologies.

The Portuguese Drosophila Meeting was casual with a good amount of time to socialize. The talks were as broad as you can imagine, from immunology, to developmental biology, population genetics, host-pathogen interaction, neuroscience and oncobiology.

As usual, in this kind of meetings, we have international speakers giving amazing talks. However, what catch up my attention was one of the speaker’s main message: keep spreading the word and show how powerful Drosophila model is. It’s incredible but true, Drosophila is getting forgotten. How many of the new raising scientists know that, for example, the Hippo signaling pathway was first discovered and characterized in flies? Drosophila is the most well understood model organism, studied for more than a century. Its genome is smaller, known since March 2000 and there are libraries of RNAi for all your favorite genes. Moreover, you can manipulate their growth rate by maintaining them in different temperatures (ranging between 18 ºC and 29 ºC). Did you ever try to mutate/insert a gene? In Drosophila is so much easier than mice (imagine an entire year reduced to one month, with amazing genetic tools to know if your gene was inserted or deleted!). And for the sceptics, the fruit fly and humans are not as distant as you can think! Many physiological, neurological and biological properties are maintained between mammals and fruit flies, with about 75 % of the genes that cause diseases in humans have functional homologs in Drosophila!

Finally, you can find more reasons why use the fly as a research model in:

https://www.yourgenome.org/facts/why-use-the-fly-in-research

http://modencode.sciencemag.org/drosophila/introduction