Num dos meus últimos textos, abordei um exemplo em que o uso de técnicas
disponíveis em Sincrotrão contribuiu para o avançar do conhecimento da História.
Vamos, hoje, ser totalmente inovadores e abordar um outro exemplo em que o uso de
técnicas disponíveis em Sincrotrão contribuiu para o avançar do conhecimento da
História (realce-se a riqueza estilístico-linguística empregue neste parágrafo).
No segundo quartel do século XIX, Louis Jacques Mandé Daguerre desenvolveu
o processo fotográfico que viria a ficar conhecido por daguerreótipo e que foi
apresentado em 1839 na Academia das Ciências de França. Usando uma placa de cobre
coberta por prata para o registo da imagem, os daguerreótipos são importantes
documentos que contribuem para a interpretação dos costumes, personagens e paisagens do quotidiano da época.
Vários exemplares intactos chegaram até aos nossos dias, mas vários outros
sofreram danos causados pela implacável passagem do tempo nomeadamente por
fenómenos de corrosão (tarnish em inglês). Torna-se, pois, interessante desenvolver
métodos capazes de restaurar daguerreótipos perdidos possibilitando a referida análise
histórica.
Este foi o ponto de partida para o trabalho desenvolvido por uma equipa de
investigação canadiana e que resultou numa publicação na revista Scientific Reports em
Junho de 2018 após publicações preliminares no ano anterior. Usando dois
daguerreótipos danificados da Galeria Nacional do Canadá, datados de cerca de 1850,
os autores procuraram identificar a composição química da corrosão com recurso a
técnicas disponíveis nos sincrotrões CLS (Canadian Light Source em Saskatoon,
Canadá) e CHESS (Cornell High Energy Synchrotron Source em Ithaca, Nova Iorque,
Estados Unidos).
Como que por magia, a verdade é que os daguerreótipos analisados, antes “m
branco”, revelaram o seu conteúdo (retratos de uma mulher e de um homem) após o
tratamento. Vale a pena consultar o artigo para perceber em detalhe a ciência por detrás
desta “magia” que, de forma telegráfica (uma expressão do passado que talvez hoje se
possa traduzir por tweet), assenta na procura e identificação de mercúrio (usado para
revelar as imagens originais) por micro fluorescência de raios-X.

Facilmente se percebe as potencialidades deste método não-invasivo e não-
destrutivo na recuperação de antigos documentos históricos o que será certamente uma
mais-valia na interpretação do passado. Para finalizar, deixo o link onde o artigo pode
ser encontrado: https://www.nature.com/articles/s41598-018-27714-5.

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